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Carrazeda de Ansiães mantém tradição e “rebenta” o Pai da Fartura no Carnaval
Evento marcado pela sátira social volta a mobilizar comunidade e visitantes numa celebração única no país
Carrazeda de Ansiães cumpre a tradição e assinala o Carnaval com o emblemático rebentamento do “Pai da Fartura”, numa celebração que, apesar de não se afirmar como um Carnaval de massas, se destaca pela genuinidade e pela forte componente de sátira social.
A iniciativa, promovida pela Câmara Municipal em parceria com os Zíngaros de Carrazeda de Ansiães, tem como principal objetivo dar voz ao “descontentamento” da comunidade, utilizando o humor e a ironia para criticar políticas locais, nacionais e internacionais, bem como atitudes e acontecimentos da atualidade.
As festividades decorrem na tarde do dia de Carnaval, este ano celebrado a 17 de fevereiro, com o tradicional cortejo carnavalesco.
As 14h00 assinala-se o início da folia com uma arruada pelas ruas da vila com os Grupos de Bombos. Às 15h30 começa o desfile, o momento alto da criatividade das associações concelhias, com cerca de três dezenas de tratores alegóricos. Aos carros juntam-se os Zíngaros e outras coletividades locais, com gigantones, cabeçudos e músicos. Durante o percurso, os participantes aproveitam para satirizar a atualidade política, económica e social, sublinhando aquilo que consideram mais caricato, injusto ou prejudicial para a população.
É à noite que acontece o momento mais original e distintivo do Carnaval de Carrazeda de Ansiães. A partir das 21h00 o “Pai da Fartura” - figura alegórica que simboliza excessos, mentiras e enganos - é levado da Câmara Municipal para a Fonte das Sereias onde será julgado. Arrastado pela população, o “Pai da Fartura” apresenta as suas lamúrias, tentando, sem sucesso, conquistar a misericórdia dos juízes. Versos satíricos são declamados em voz alta, até à sentença, sem possibilidade de recurso: pena de morte. O desfecho concretiza-se com o rebentamento da figura, envolta em explosivos, perante o lamento das “viúvas” do “Pai da Fartura”, que acompanham o cortejo fúnebre ao som de tambores e sirenes dos bombeiros.
Com a explosão e a destruição simbólica da figura, encerra-se um ciclo de folia e excessos. Apesar do carácter pagão da celebração, o momento marca também a transição para a Quaresma que, na tradição católica, representa um período de jejum, abstinência, recolhimento e reflexão.
Tudo está pronto para este dia de alegria para toda a família, a contar que o São Pedro ajude, caso contrário também ele pode ser alvo da sátira da comunidade já cheia de água neste inverno.
