XVI Mostra Teatro Douro
O autitório do CITICA acolhe a XVI Mostra de Teatro Douro com a peça “O LOBISOMEM” no dia 2 de maio pelas 21h30
SINOPSE:
Esta comédia de Camilo Castelo Branco tem muito a ver com a juventude do autor, em particular com o período que passou em Ribeira de Pena, terra onde estudou Latim com o padre Manuel Rodrigues e onde acabou por casar com Joaquina Pereira. Ele com 16, ela com 15 anos de idade. Fala-nos de João da Eira, agricultor de Reboriça, que tem a mulher empregadinha e a filha engelhada, porque ambas terão visto um lobisomem a espolinhar-se na encruzilhada. A notícia do bicho-homem espalha-se e instala-se o pavor na região. No meio da barafunda anda um estudante, vindo de fora para aprender gramáticas em casa do reverendo vigário da freguesia e que, dizem os entendidos, não é outro senão o próprio Camilo. As peripécias da peça decorrem no meio de vivíssimos quadros da vida rural do Alto Tâmega em meados do século XIX. O escritor conhece bem a região e o seu povo, dando-nos em O Lobisomem um retrato fiel e bem-humorado da vida, da cultura e até do modo de falar locais. Mostra-nos como se festejavam as bodas com flores e tiros, como eram animadas as espadadas do linho, onde se cantava ao desafio e até se dançava, como se mascaravam os grupos de encamisados ou caretos, como eram praticados exorcismos na romaria de S. Bartolomeu de Cavez. Em toda a peça, está bem marcado “o contraste da ironia com a comiseração, das lágrimas com o riso, da condolência com o sarcasmo”, como escreve Alberto Pimentel no prefácio da edição de 1946. Trazer para a atualidade o humor de Camilo, 200 anos depois do seu nascimento, é a nossa forma de celebrar o génio que criou Amor de Perdição, Eusébio Macário, A Queda de um Anjo, O Morgado de Fafe Amoroso e tantas obras-primas da literatura portuguesa.

