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Lavandeira


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A cerca de 7 quilómetros de Carrazeda de Ansiães, a 2 da aldeia de Selores e no sopé e encosta sul do monte onde está implantado o Castelo de Ansiães, fica situada a aldeia e freguesia de Lavandeira daquele concelho.

Há assim dois montes que influenciam o povoado: a Serra da Vila e o Castelo (este a Norte das habitações). Daí a aldeia se estender desde o vale junto ao Ribeiro que vem de Selores até perto das muralhas do Castelo, e pela encosta acima.

Nos tempos áureos do Castelo e Vila de Ansiães, Lavandeira era um simples lugar da freguesia de S. Salvador daquela Vila, acabando por ficar com o mesmo padroeiro, após em 6 de Abril de 1734 ter sido extinto o concelho de Ansiães. Passou nessa data a integrar o de Carrazeda de Ansiães, então criado. É a partir daí que Lavandeira se desenvolve mais e constitui uma Paróquia e freguesia independentes.

Na década de 60 do século XIX tinha 95 fogos e 330 habitantes. Mas é em 1960 que atinge o maior número de residentes: 504.

A agricultura é a actividade principal com produções de vinho, trigo, milho, azeite, frutas, em especial a maçã.

A nível de outras actividades, pouco representam em termos económicos, mas são importantes para a vida local. É o caso do barbeiro, dois cafés/mercearias, dois carpinteiros, 1 pastor de ovelhas, 1 negociante de cortiça, alguma apicultura, do lagar de azeite que serve as aldeias vizinhas também, dos lagares de vinho que são particulares.

Têm Escola Primária, Junta de Freguesia, Cemitério, e Campo de Futebol que fica à entrada da povoação na estrada que vem de Selores.

A Fonte Nova, Fonte do Gricho e Fontinha, bem como a de cima junto ao Castelo vão fornecendo água boa para beber e para os animais, sem adicionantes químicos ou outros, pois essa têm-na na torneira. Não possuem ainda sistema de esgotos. Quanto às ruas, já estão calcetadas. E o Lavadouro Público que já pouco cumpre a sua missão para lavar e preparar as roupas domingueiras, das festas, mas também dos dias de trabalho.

A Igreja Matriz é o centro principal da aldeia, sendo o monumento mais imponente que a povoação apresenta. O seu alpendre exterior que abriga a porta principal apresenta belas colunas a sustentá-la. A Torre sineira é lateral direita em forma quadrangular, constituída pelas escadas que lhe dão acesso até aos sinos na parte detrás, e pela Torre propriamente dita que inclui os sinos, virados para o lado do alpendre. É monumento nacional granítico do século XVIII.

O Largo da Igreja é constituído pelo edifício de culto para oriente, a Casa dos Milagres a Ocidente e coretos de cada um dos lados norte e sul. É ali que os habitantes de Lavandeira gostam de se reunir nos tempos de lazer, e principalmente aos domingos e feriados, sentando-se nos muros de granito, ou até nos muros do fontanário que se encontra mais a norte do referido Largo.

A aldeia não se sente bem servida de transportes públicos, já que, no tempo de aulas é no autocarro dos estudantes que se podem deslocar até à vila. Contudo, em tempo de férias escolares as pessoas têm de andar cerca de 2 quilómetros a pé até à aldeia de Selores, a fim de apanharem o autocarro que vem do Seixo de Ansiães. No entanto, têm o táxi à sua disposição há 10 anos a esta parte.

Lavandeira tem uma festa ao Divino Rei Salvador dia 6 de Agosto, que é considerada a Festa do Povo. Contudo, a festa mais concorrida é dia 15 e 16 de Setembro, a Santa Eufémia ou "Festa da Marrã", procurada por diversos devotos que vêm em Romaria de terras bem distantes, quer da margem esquerda do Douro, como é o caso de S. João da Pesqueira, quer da margem direita, como da Lousa distante, mas que faziam o percurso a pé. Na aldeia de Carlão, nesse dia, também é feriado, e por isso, vão ainda de lá até Lavandeira à Festa de Santa Eufémia nesse dia.

Depois é tradicional nesta festa assarem a carne de porco, a que chamam a Marrã, já conhecida por toda a região. Certos anos chegavam a matar mais de uma centena de porcos e a carne era toda consumida nesse dia de Festa. Em ambiente festivo, reúnem-se os amigos para petiscarem esse assado, bebendo uns copos do bom vinho local, tendo como sobremesa o melão.

Existe na localidade de Lavandeira uma "Irmandade de Santa Eufémia" que está dividida em dois ramos: o Ramo de Além do Rio Tua que abrange aldeias dos concelhos de Alijó, Murça, Valpaços, e parte do de Mirandela. E o Ramo da "Vilariça" pelos concelhos de Carrazeda de Ansiães, Moncorvo, Alfândega e Vila Flor, e a outra parte do de Mirandela.

Os "irmãos" pagam 100$00 (mas antes pagavam 30$00, e há mais ou menos 20 anos pagavam 7$50), que são cobrados durante o mês de Agosto por equipas da Irmandade. Há muitas aldeias que têm os zeladores próprios que se encarregam da 1cobrança ou dão alojamento aos que ali a vão fazer. Quando falece algum elemento, tem direito a uma missa que é rezada pelo pároco da freguesia ou então no Seminário. Depois é enviada uma certidão à família com carimbo próprio. No ano de 1990 foram passadas até Agosto, 160 certidões. Julga-se que exista já desde o século XV esta tradição religiosa a Santa Eufémia através desta Irmandade.
 

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